ENCONTRO ESPETACULAR: Brasileira descobre nova espécie das 'aves do terror' na Chapada Diamantina
Um único osso encontrado na manhã desta sexta-feira (21), em uma caverna na Chapada Diamantina, na Bahia, revelou ao mundo uma nova espécie das temidas ‘aves do terror’. O fragmento é da Eschatornis aterradora, que viveu até 25 mil anos atrás.
Segundo Reinaldo José Lopes, um pesquisador envolvido na descoberta, o osso encontrado serviu de base para descrever essa espécie até então desconhecida. O artigo que traz as informações foi publicado no mês passado no periódico científico Papers in Palaeontology. Pesquisadores da PUC-MG e da UFBA, além de colegas da Argentina, assinam o trabalho.
O bicho que agora faz parte da nossa história faz parte dos forusracídeos, aves não voadoras que eram verdadeiros predadores em seu habitat. Essas aves, que podiam chegar a três metros de altura e pesar até 350 kg, dominaram a fauna sul-americana por milhões de anos. A cabeça grande e o bico afiado eram armas poderosas para atacar suas presas.
“Esse fragmento ósseo foi encontrado na caverna chamada Toca dos Ossos, em Ourolândia”, contou Lopes. “É uma prova de que essas aves ainda estavam por aqui mais recentemente do que se imaginava.”
O pesquisador Victor Hugo Machado, da PUC-MG, destacou a diversidade de espécies desse grupo: “Sempre houve espécies maiores e menores convivendo. A Eschatornis aterradora representa essas linhagens menores que sobreviveram até o Pleistoceno, conhecido como Era do Gelo.”
O que deixa a novidade ainda mais intrigante é a preservação do único fragmento. “É difícil determinar o tamanho exato da nova espécie. Com base no peso estimado de até 6 kg, acreditamos que ela tinha entre 70 cm e 90 cm, o que é semelhante ao porte das seriemas que vemos hoje”, explicou Machado.
Antigamente, esse fóssil foi confundido com um catartídeo, do grupo dos urubus e condores, mas uma nova análise detalhada mostrou que se tratava de uma pequena ave do terror. O nome Eschatornis significa “última ave” em grego, uma referência ao desaparecimento desse grupo.
Com a formação de pontes de terra firme entre América do Sul e América do Norte, há cerca de 3 milhões de anos, a competição aumentou entre os predadores. “É possível que alguns forusracídeos tenham se mudado para o norte e, com isso, enfrentado novos desafios”, disse Machado. “Essas aves menores, como a Eschatornis aterradora, provavelmente caçavam presas menores, evitando confrontos diretos.”
A pesquisa segue para entender melhor a extinção das aves do terror, que pode ter envolvido fatores como mudanças climáticas e ambientais. A emocionante descoberta ressalta a rica história da fauna da Chapada Diamantina e abre um leque de novas perguntas sobre nosso passado.