CRESCIMENTO DO ROBUSTA: produção dobra em 9 anos na lavoura brasileira

O café robusta, também conhecido como canéfora, teve seu espaço ampliado na lavoura brasileira, dobrando a produção em 9 anos. Na última safra, alcançou 20,8 milhões de sacas, uma marca histórica, e as expectativas para este ano indicam um novo crescimento no setor.

CRESCIMENTO DO ROBUSTA: produção dobra em 9 anos na lavoura brasileira
Imagem gerada por IA (GPT Image 1)

O movimento de expansão do robusta é notório. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção saltou de 10,4 milhões de sacas em 2016 para 20,8 milhões no último ano. Para 2026, a previsão é de um novo recorde, com 22,1 milhões de sacas, um avanço de 6,4% em relação a 2025.

Enquanto isso, o robusta não está tomando o espaço do arábica, mas, sim, diversificando a cafeicultura nacional. "O arábica continua sendo uma produção muito importante para o Brasil, mas o robusta está conquistando espaço", afirma Hugo Centurion, chefe da Ascensa Brasil. Em 2025, o Brasil produziu 35,7 milhões de sacas de arábica, refletindo uma queda em relação às 43 milhões de sacas em 2016.

O panorama se altera quando se olha para a resistência e produtividade do robusta, que apresenta uma média de 52 sacas por hectare, enquanto o arábica produz apenas 24 sacas na mesma proporção de terreno. "O robusta é mais resistente ao calor e à seca, o que se torna uma vantagem em climas adversos", detalha Centurion.

A reviravolta na produção não se limita a números. A cafeicultura brasileira está passando por uma verdadeira reconfiguração, com o robusta se firmando como uma opção viável e competitiva. "O crescimento do robusta revela uma mudança de lógica no campo", destaca Hugo. Isso mostra que os produtores estão buscando não apenas diversificação, mas também maior eficiência e rentabilidade.

O café arábica, por sua vez, ainda é predominante principalmente em Minas Gerais e outras regiões, onde o clima e altitude são favoráveis. Já o robusta, que tem sabor mais forte e amargo, se destaca em áreas menos altas e mais quentes, como Espírito Santo e Rondônia. "Estamos abrindo novas fronteiras agrícolas com o robusta, aproveitando regiões que antes eram limitadas", salienta Centurion.

Com esse salto na produção, o Brasil sinaliza uma nova fase na sua cafeicultura, apresentando-se mais forte no mercado internacional. O país mantém a qualidade do arábica, mas incorpora o robusta para atender à crescente demanda de cafés industrializados e blends, afirmando sua posição no cenário global.